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05 de novembro de 2026

Presidente do Paraguai renuncia em meio a crise no banco Ueno

Mundo Paraguai 05/11/2026 15:32 Jovem Pan jovempan.com.br Assunção

Santiago Peña deixou o cargo após escândalo financeiro que travou saques de clientes e levou a prisão de executivos do banco ligado a ele

Santiago Peña anunciou nesta quinta-feira (5) que renunciou ao cargo de presidente do Paraguai. A decisão ocorreu após um grave escândalo envolvendo o Ueno Bank, instituição financeira ligada a antigos sócios do presidente.

O anúncio foi feito por meio de um vídeo publicado nas redes sociais. Peña pediu desculpas à população e justificou a saída dizendo: A história se encarregará de julgar e colocar em sua justa dimensão os acontecimentos que hoje nos cabe viver. Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas.

  • O presidente saiu do cargo antes que um processo de impeachment fosse concluído.
  • O Ueno Bank foi declarado insolvente e teve seus recursos bloqueados pelo Banco Central.
  • Milhares de cidadãos protestaram nas ruas de Assunção pedindo a liberação de seus depósitos.
  • Oito suspeitos, incluindo o presidente do banco, foram presos preventivamente pela Justiça.
  • A instituição atendia quase metade dos 6,4 milhões de habitantes do Paraguai.

Impeachment e apoio da bancada

Antes da renúncia, um processo de impeachment contra Peña avançava no Legislativo paraguaio. A principal bancada governista divulgou oficialmente que apoiava a saída do presidente. Não estaremos ao lado do saque dos fundos públicos, privados e dos aposentados, afirmou Cartes, líder da Associação Nacional Republicana (ANR), o Partido Colorado.

A Câmara havia iniciado a sessão pela manhã para analisar a acusação. Segundo o jornal ABC Color, os 35 deputados presentes da bancada governista somaram-se ao apoio de outros grupos. Isso abriu a possibilidade de uma votação unânime. Para enviar o caso ao Senado, eram necessários dois terços dos votos. A eventual destituição dependeria do julgamento pela Câmara Alta.

Crise bancária e impactos nos clientes

Milhares de paraguaios foram às ruas de Assunção na terça-feira (3) exigindo acesso ao dinheiro guardado no Ueno Bank. A instituição foi colocada sob intervenção após ser considerada insolvente, ou seja, sem capacidade de honrar seus compromissos financeiros.

O Banco Central do Paraguai bloqueou recursos públicos e as economias de milhões de clientes. Em seguida, suspendeu temporariamente os saques de fundos de investimentos vinculados ao banco. A medida afetou gravemente a população, já que o Ueno Bank atendia cerca de 50% dos 6,4 milhões de paraguaios.

Garantia de depósitos e prisões

Para amenizar o impacto, o Banco Central comunicou que fará um adiantamento da garantia do Fundo de Garantia de Depósitos aos poupadores. O valor liberado será de até 40 salários mínimos. Dívidas pendentes com o banco serão deduzidas desse montante.

Em ações judiciais, a Justiça do Paraguai determinou a prisão preventiva de oito suspeitos de envolvimento na crise bancária. Entre os detidos estão Juan Manuel Gustale, presidente do Ueno Bank, e Federico Miguel Vázquez, diretor-executivo da instituição financeira.


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